Reforma Protestante, Sem classificação

Como os Cinco Solas podem ajudar o cristão no enfrentamento da pandemia?

Emunah, confiança que não se abala

Eu velo pela minha Palavra.” Jr. 1.12

O mundo, desde a queda do homem, tem passado por situações difíceis e de grandes tragédias como a que por ora se apresenta, o Covid19, a pandemia. Contudo, há uma relação extraordinária de Deus com o seu povo na História da Redenção, a qual deve nos trazer tranquilidade. Olhemos para o nosso livro de fé e conduta para entendermos e nos tranquilizarmos, a Bíblia Sagrada, somente ela deve servir de regra de fé e prática para os cristãos. E o que ela nos diz acerca de como superar momentos em que o desespero parece ter tomado conta? Quando Adão e Eva pecaram, deveriam ter recebido de Deus a condenação sumária, pois Deus é justo. Porém, Deus os pune expulsando-os do Jardim e a eles faz uma promessa: de que da semente da mulher nascerá aquele que pisará na cabeça da serpente. Gn. 3.15. Veja que, ao invés de terem sido condenados, o casal recebeu uma promessa. E essa promessa já aponta para a pessoa de Cristo que traria como consequência, a reconciliação do homem para com Deus. A primeira ação dos nossos representantes ao perceberem que haviam pecado, foi perceber a própria nudez. Quando nossos primeiros pais são expulsos, Deus mata um animal, e com o couro, a nudez deles é coberta. Ou seja, um animal precisou ser sacrificado para que o símbolo de percepção de pecado deles fosse coberto. Assim como o sangue de Cristo cobre os nossos pecados, Lv. 17.11 e Hb. 9.22. Esse gesto prefigura o que estava por acontecer, apontando, mais uma vez, para a obra e pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Deus age para com os nossos representantes fazendo uso de sua infinita graça, ao ponto de não condená-los, e ainda vesti-los. E esse cuidado de Deus se percebe em Abel, Noé, até que a História da Redenção chega em Abraão. A partir daí, Deus começa a preparar um povo que Ele, em sua soberania, escolheu para que, por esse povo, viesse o Salvador, aquele prometido em Gn. 3.15.

Quando Deus chama Abrão – Gn. 12.1 – Abrão apenas confia e segue as instruções que houvera recebido de Deus. A partir desse chamado, Deus começa a dar instruções e cumprir o que houvera prometido a Adão e Eva. A relação de Deus não é com Abrão, e sim com a promessa que houvera feito, pois Ele vela pela Palavra dele para que se cumpra. Abrão recebeu um novo nome, Abraão e Deus estabelece um pacto com ele, de que ele seria pai de uma grande nação. Abraão questionou a Deus acerca da certeza de que essa promessa seria cumprida, ou seja, queria um contrato assinado como forma de garantia. E em todo contrato exige-se que ambas as partes cumpram as cláusulas do contrato para que este tenha valor. O pacto é feito, Deus ordena que Abraão mate alguns animais e os corte ao meio e faça um corredor com as partes cortadas. Feito isso, as partes do acordo precisariam passar entre as metades dos animais expostos no chão, e dessa forma, firmar o contrato. E caso algumas das partes não cumprisse as exigências do contrato, acabaria como os animais ali presentes no pacto. Em uma das cláusulas, Deus estabelece no pacto que o homem cumpra as exigências da Lei Moral. Abraão, anda na minha presença e ser perfeito, disse Deus. Exigia que toda sua Lei Moral fosse cumprida. No momento de assinar esse contrato, Abraão cai em um sono profundo e somente um fogo passa entre as partes, ou seja, somente Deus assina o contrato, pois em sua eterna presciência e soberania, sempre soube que era impossível a qualquer homem cumprir a lei. Deus, então, assegura a morte de Cristo para o resgate do homem – Somente Cristo -. Começa a surgir então, uma relação de confiança entre Abraão e sua descendência para com Deus. O que podemos chamar de fé. E assim, nessa confiança inabalável na promessa que Deus houvera feito, se desenvolve a História da Redenção.

E ao longo dessa história de Deus para com o seu povo, houve momentos em que tudo parecia estar dando errado, o povo se torna escravo no Egito; permanecem nessa condição por 40 anos; as 10 pragas assolam os egípcios. E é quando Deus levanta Moisés, que devemos olhar como um tipo de Cristo no A.T. Moisés, dessa forma, é responsável por iniciar essa jornada de retirada do povo da condição de escravo no Egito, e durante todo o percurso no deserto, Deus sempre cuidou do seu povo, não permitindo que nada lhes faltasse. Mesmo durante o período de juízes, na monarquia, o povo de Deus sendo atacado por inimigos, e isso acontecia como consequência da idolatria, ainda que o povo se voltasse contra o Deus que os libertou, Deus sempre esteve com eles, afinal, Deus vela pela Palavra dele. Então percebemos que Deus sempre cuidou do seu povo independente do cenário de caos ou não que ele, o povo, se encontrava. Isso serviu, cada vez mais, de fortalecimento da confiança em Deus.

Confiança ou fé, ou ainda fidelidade, são termos que derivaram da palavra hebraica “emunah” em que o campo semântico traz uma ideia de que nada abalará essa confiança. O interessante é que há uma outra palavra no Novo Testamento, derivada da palavra “emunah” que é do Antigo Testamento. A palavra é “Ἀμήν” ou Amém, que significa verdade. Fazendo a conexão entre as palavras “emunah” e “Ἀμήν” , possuindo a primeira, a ideia de confiança inabalável na promessa que Deus fez e Ἀμήν, como Verdade, ou Verdade revelada de Deus para o homem, ou ainda, promessa de Deus cumprida na forma de carne, pois assim João fala que Ele, Cristo, é o Amém, Ele mesmo, Cristo, no Evangelho de João, diz que é a única Verdade, o Caminho e a Vida. Veja que tudo o que Deus fez, sempre foi com o objetivo de reconciliar o homem com Ele, e tudo aconteceu por meio da Obra de Cristo. Absolutamente, todos pecaram, e isso trouxe morte, mas Deus escolheu nos salvar, e ao longo de toda a História da Redenção, com pandemias ou sem pandemias, Deus sempre esteve protegendo seu povo. Ele sempre esteve e está no controle de tudo. E é Ele quem cuida do seu povo, como sempre cuidou. O mundo sempre passou por momentos difíceis de pandemia, como a peste bubônica; a varíola; a cólera; a gripe espanhola e gripe suína, conhecida como H1N1, Deus esteve alheios a elas? Obviamente que não! Sua Palavra nos mostra que Ele sempre cuidou do seu povo, independente do cenário.

Portanto, não há motivos para temer, Assim como Deus preparou o mundo para receber o Salvador, Ele agora, está preparando seu povo para a volta do mesmo Salvador, fazendo com que seus santos perseverem. Não há motivos para temer, há motivos para fortalecermos cada vez mais nossa confiança em Deus e nos reconciliar com Ele por meio da obra do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ao Pai oro para que Ele, por meio do seu Espírito Santo, nos convença do pecado do juízo e da justiça e que possamos nos alegrar, porque Deus tem cuidado de nós. SOMENTE AS ESCRITURAS, SOMENTE CRISTO, SOMENTE A GRAÇA, SOMENTE A FÉ E SOMENTE A DEUS A GLÓRIA.


Por Edllennon Batista de Medeiros
Casado com Shirley Magalhães
Cristão Ortodoxo, Militar
Graduando em Teologia


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