Reforma Protestante

A sociedade dos resignificados

Os reformadores não descobriram o Evangelho, o que fizeram foi resgatar e esclarecer.

Somos por natureza inclinados a explorações e descobrir alguma coisa é sempre motivo de alegria, porém vivemos em um tempo onde o inédito é cada vez mais raro e o que chamamos de novo na verdade não passa de uma adaptação cultural.
Nosso apego atual por marcar a historia produz uma serie de comportamentos que entregam resultados repetitivos expressando nossa falta de apego e gratidão as tradições.

Como cristãos reformados precisamos nos apegar na tradição histórica que nos sustenta e impulsiona ainda hoje, mas o desafio reside justamente no fato de se apegar, questão tão delicada em um mundo de conceitos líquidos. A tradição foi fragmentada e diluída, a continuidade foi esquecida e apagada, as gerações do presente acreditam que podem permanecer de pé sem o apoio das gerações do passado.

Autonomia é a palavra da vez. Autonomia criativa, religiosa, acadêmica e relacional. Uma sociedade autônoma que não se preocupa em prestar contas a historia que os trouxe até aqui segue acreditando que está mudando o mundo. Estamos assistindo ao tardio amadurecimento dos nossos jovens e aceitando com naturalidade a proposta de reconstrução apresentada por eles.

A proposta de reconstrução se baseia em um novo mundo condicionado aos prazeres einclinações pós-modernos escondidos atrás de um discurso de liberdade. A verdade é que nunca existiu tanta facilidade para participar dos processos de construção como existe hoje. Absolutamente qualquer pessoa pode se transformar em um criador de conteúdo, um professor, um líder de movimentos civil e pregador do Evangelho.

A chamada liberdade criativa está sepultando sem resquícios de pena a idosa senhora chamada Tradição. Resignificamos conceitos que são históricos, acreditamos que contextualização pode ser um movimento desapegado da tradição e simplesmente começamos a criar novos conceitos para coisas que sempre existiram.

Precisamos aceitar que não estamos inventando a roda e nossa missão é só permitir que a roda continue girando. É hora de aceitar que Deus é um Deus que se relaciona com gerações e entrega tradições ao seu povo. A insistência em criar um novo movimento evangélico está mostrando que a reforma ainda é necessária. O homem está voltando ao centro, Cristo está recebendo outros nomes, significados e a igreja está sofrendo com a transformação de sua liturgia clássica.

No campo das artes resignificar é uma tendência onde metáforas sobre o amor de Deus, arrependimento e pecado aparecem como uma solução para conectar a igreja e o mundo. Detectar artistas que preferem transmitir verdades históricas ao invés de cantar verdades pessoais é raridade(desculpe o trocadilho).

Quando optamos por participar da construção desse novo mundo utilizando os recursos e condições que ele oferece, estamos mergulhando naquela condição de amoldados ao padrão deste século.

A questão não está em resignificar verdades nas canções, nos cultos ou na vida publica, a questão está justamente em trabalhar para que a verdade que mudou homens e mulheres em toda historia bíblica continue mudando homens e mulheres nos dias de hoje. Por mais cristãos que crescem, justamente porque tem raízes.

Por Pedro Vuks.

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